Nike em queda livre: por que as ações despencaram ao menor valor em 10 anos
A Nike viu suas ações despencarem 15,5% nesta quarta-feira, após reportar resultados do terceiro trimestre fiscal que superaram expectativas de lucro e receita, mas projetarem queda nas vendas para os próximos meses.
A reação do mercado reflete a cautela diante da lenta recuperação da gigante americana, liderada por Elliott Hill, que retornou à companhia em outubro de 2024 para conduzir um plano de reestruturação.
Lucro e receita acima do esperado, mas vendas projetadas em queda
Nike registrou lucro por ação de 35 centavos, ante 54 centavos no mesmo período do ano passado, superando a expectativa de 29 centavos projetada pelo mercado. A receita totalizou US$ 11 bilhões, praticamente estável em relação ao ano anterior.
Apesar desses números, a empresa alertou que espera queda nas vendas de 2% a 4% no quarto trimestre fiscal, abaixo da projeção de aumento de 1,9% prevista pelo mercado.
O desempenho financeiro refletiu desafios em diversas frentes: impactos de tarifas mais altas na América do Norte reduziram a margem bruta em 130 pontos-base, chegando a 40,2%.
Enquanto a receita direta ao consumidor caiu 4%, principalmente devido a fraqueza nas lojas próprias e no segmento digital da marca.
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Pressão regional e desafios de marcas secundárias
A recuperação da Nike não é uniforme. América do Norte e regiões da Europa, Oriente Médio e África apresentaram crescimento moderado de 2% a 3%, enquanto a Ásia-Pacífico e a América Latina avançaram apenas 1%.
A marca Converse teve desempenho ainda mais fraco, com receita em queda de 35% para US$ 264 milhões, impactando os resultados consolidados.
Executivos destacaram que o progresso varia de acordo com a região e o portfólio: “Enquanto nossa recuperação está levando mais tempo do que gostaríamos, estamos confiantes de que estamos no caminho certo”, afirmou Matthew Friend.
Custos e ajustes estruturais pesam
Parte da pressão sobre os resultados se deve a encargos de US$ 230 milhões com demissões ao longo dos últimos nove meses, concentradas nas áreas de tecnologia e cadeia de suprimentos.
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A Nike espera que esses cortes contribuam para redução de custos no futuro.
Além disso, a empresa alerta que fatores externos, como aumento do preço do petróleo e instabilidade no Oriente Médio, podem continuar afetando custos e demanda.
Apesar disso, segmentos estratégicos, como calçados de corrida e produtos relacionados à Copa do Mundo de Futebol, mostram sinais positivos.
Reações do mercado e perspectivas
O mercado reagiu de forma negativa, e a ação atingiu seu menor valor de fechamento desde outubro de 2014, a US$ 44,62.
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Analistas revisaram projeções: Truist Securities reduziu o preço-alvo de US$ 69 para US$ 57, mantendo recomendação de compra, enquanto Goldman Sachs, JPMorgan e Bank of America rebaixaram as ações para recomendação neutra.
Segundo Joseph Civello, da Truist, o progresso da recuperação da Nike continua irregular e “as ações devem permanecer em zona de penalidade nos próximos meses, mas com base redefinida mais baixa, há potencial para recuperação futura”.
Caminho à frente
A companhia promete apresentar nova orientação para o ano fiscal completo durante um dia do investidor no outono, retomando o detalhamento de suas iniciativas de melhoria.
Enquanto isso, os investidores seguem monitorando de perto a execução do plano de turnaround e a evolução da demanda em mercados-chave, em meio a pressões macroeconômicas e geopolíticas persistentes.
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