SpaceX prepara maior IPO da história e mira valor de US$ 1,7 trilhão
Por Fabio Vilarinho
01/04/2026 - 19h16
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A SpaceX, de Elon Musk, deu início ao processo para abrir seu capital nos Estados Unidos, em uma operação que pode se tornar a maior oferta pública inicial (IPO) da história.
A companhia apresentou de forma confidencial sua documentação à Securities and Exchange Commission, sinalizando que pretende estrear na bolsa ainda neste ano.
Segundo fontes do mercado, a empresa busca levantar cerca de US$ 75 bilhões e atingir uma avaliação próxima de US$ 1,75 trilhão.
Se confirmados, os números colocariam a companhia entre as mais valiosas do mundo, ao lado de gigantes como Apple, Microsoft e Amazon.
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IPO pode superar recorde da Saudi Aramco
Caso se concretize nesses termos, a oferta da SpaceX superaria com folga o recorde atual, estabelecido pela Saudi Aramco, que levantou US$ 29 bilhões em sua abertura de capital em 2019.
O movimento marca uma nova fase para a empresa fundada por Elon Musk, que até agora vinha se financiando por meio de rodadas privadas e venda de participações no mercado secundário. Em 2022, a SpaceX era avaliada em cerca de US$ 90 bilhões, o que indica uma valorização exponencial em poucos anos.
Estratégia inclui sigilo e baixa oferta de ações
O processo foi iniciado por meio de uma submissão confidencial, mecanismo comum nos Estados Unidos que permite às empresas avançar nos preparativos sem divulgar imediatamente seus dados financeiros ao público.
A expectativa é que a SpaceX coloque à venda menos de 5% de suas ações, percentual inferior ao padrão do mercado. Ainda assim, mudanças recentes promovidas pela Nasdaq podem favorecer a operação.
A bolsa flexibilizou regras para inclusão de empresas no índice Nasdaq 100, reduzindo exigências de ações em circulação e encurtando o prazo de elegibilidade após a estreia. Isso pode direcionar bilhões de dólares de fundos passivos para a SpaceX logo nas primeiras semanas de negociação.
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Especialistas alertam, porém, que a entrada acelerada em índices pode distorcer a formação de preços no pós-IPO, elevando a volatilidade das ações.
Mercado vê tentativa de maximizar demanda
Outro ponto em discussão é a possibilidade de investidores atuais venderem parte de suas participações já no primeiro dia de negociação, o que quebraria a prática tradicional de lock-up de 180 dias.
A estratégia indicaria uma tentativa de aproveitar ao máximo a demanda inicial e a valorização potencial do papel, em um momento de forte apetite do mercado por empresas de tecnologia e infraestrutura espacial.
Além disso, a SpaceX recentemente incorporou a startup de inteligência artificial xAI, também ligada a Musk, em uma operação avaliada em cerca de US$ 250 bilhões, reforçando a narrativa de expansão para além do setor aeroespacial.
Corrida espacial e apetite dos investidores
A abertura de capital ocorre em um momento de crescente interesse global pela economia espacial, impulsionada por avanços tecnológicos e pela expansão de serviços como internet via satélite, segmento em que a SpaceX atua com a constelação Starlink.
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Analistas apontam que a empresa se beneficia de contratos governamentais, especialmente com o governo dos Estados Unidos, além de receitas comerciais em expansão. O setor como um todo tem atraído investimentos relevantes, com novas startups disputando espaço em áreas como satélites, dados e infraestrutura orbital.
Timing combina mercado e simbolismo
A expectativa é que o IPO aconteça entre junho e o meio do ano, possivelmente alinhado a eventos simbólicos valorizados por Musk, como datas astronômicas ou marcos pessoais.
Mais do que uma abertura de capital, o movimento pode redefinir o equilíbrio do mercado global, consolidando a SpaceX como uma das empresas mais influentes do mundo e testando o apetite dos investidores por megacorporações em um cenário ainda marcado por incertezas econômicas e geopolíticas.
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