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Naviraí,05/03/2026

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Nvidia suspende produção de chips para China em meio à guerra tecnológica entre Washington e Pequim

veja.abril.com.br
Nvidia suspende produção de chips para China em meio à guerra tecnológica entre Washington e Pequim
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A fabricante americana de chips Nvidia decidiu interromper a produção de semicondutores destinados ao mercado chinês, em um movimento que reflete a crescente incerteza regulatória na disputa tecnológica entre Estados Unidos e China.


A empresa redirecionou sua capacidade de fabricação na Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC) para produzir chips de nova geração da arquitetura Vera Rubin.





E abandonou temporariamente a fabricação do modelo H200, que havia sido desenvolvido para atender clientes chineses dentro dos limites das regras de exportação dos EUA.


A decisão indica que a companhia já não espera vendas relevantes do H200 para a China no curto prazo, após meses de incerteza sobre autorizações de exportação em Washington e possíveis restrições de importação por parte de Pequim.


Pressão regulatória dos dois lados


Os Estados Unidos vêm apertando o controle sobre a exportação de semicondutores avançados, considerados estratégicos para inteligência artificial, supercomputação e aplicações militares.


Nos últimos anos, medidas adotadas pelo governo americano — ampliadas durante a presidência de Donald Trump — passaram a restringir a venda para a China de chips capazes de sustentar sistemas avançados de IA.



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A Nvidia tentou adaptar sua oferta criando versões consideradas compatíveis com as regras americanas, como o H200. Ainda assim, o processo de aprovação para exportação acabou travando.


Autoridades do Departamento de Estado dos EUA pressionaram por regras mais rígidas, temendo que o processador pudesse ser utilizado pela China de maneiras que comprometessem a segurança nacional americana.


Ao mesmo tempo, Pequim também sinalizou que pode limitar a compra desses produtos para proteger sua indústria doméstica de semicondutores e estimular empresas locais de IA a usar chips fabricados no país.


Estoque existente pode atender demanda limitada


De acordo com fontes do setor, a Nvidia já produziu cerca de 250 mil unidades do H200.



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Caso governos americano e chinês autorizem apenas volumes reduzidos de importação, esse estoque existente poderia suprir a demanda por algum tempo, sem necessidade de nova produção imediata.


Em teleconferência recente com investidores, a diretora financeira da empresa, Colette Kress, afirmou que algumas vendas para clientes na China foram autorizadas em pequena escala, mas que a companhia ainda não registrou receitas com essas operações.


Segundo ela, permanece incerto se novas remessas serão liberadas pelas autoridades chinesas.


Novo chip para corrida da inteligência artificial


Enquanto reduz a aposta no mercado chinês para essa linha de produtos, a Nvidia passou a priorizar a produção do Vera Rubin, sua arquitetura mais recente de chips para inteligência artificial.



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Apresentada neste ano, a plataforma foi projetada para sistemas de IA mais complexos e de maior escala, em um momento em que a demanda global por capacidade de processamento cresce rapidamente.


Empresas americanas como OpenAI e Google estão entre as grandes compradoras desse tipo de hardware, impulsionando uma corrida tecnológica que envolve gigantes da computação em nuvem e startups de inteligência artificial.


Mercado aguardava forte demanda chinesa


Antes da paralisação, a Nvidia esperava encomendas superiores a 1 milhão de unidades do H200 por parte de clientes chineses, segundo reportagens anteriores do Financial Times.


Fornecedores da cadeia de produção chegaram a trabalhar em ritmo acelerado para preparar entregas que poderiam começar ainda no primeiro trimestre.



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O próprio CEO da companhia, Jensen Huang, afirmou no início do ano que a demanda era “muito alta” e que a cadeia de suprimentos já havia sido mobilizada para ampliar a produção.


Geopolítica da tecnologia


A decisão da Nvidia ocorre em um momento em que semicondutores se tornaram o principal campo de disputa econômica e estratégica entre EUA e China.


Washington busca impedir que Pequim tenha acesso a chips de última geração, essenciais para o avanço de tecnologias como inteligência artificial, computação quântica e sistemas militares.


Por sua vez, a China acelerou investimentos para reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros, fortalecendo empresas nacionais e ampliando programas industriais ligados à produção de chips.



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Analistas do setor avaliam que a situação pode mudar dependendo da evolução das negociações diplomáticas entre os dois países.


Um encontro entre o presidente chinês Xi Jinping e Donald Trump está previsto para o fim de março, o que alimenta especulações sobre a possibilidade de algum acordo envolvendo controles de exportação de semicondutores.


Caso as restrições sejam flexibilizadas, especialistas estimam que a Nvidia precisaria de até três meses para reorganizar sua cadeia produtiva e retomar a fabricação do H200.



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