PIB deve desacelerar, mas seguir em expansão nos próximos dois anos
Por Fabio Vilarinho
03/03/2026 - 12h52

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A economia brasileira encerrou 2025 em trajetória de moderação, mas ainda sustentada por pilares que afastam o risco de recessão. A leitura dos dados do quarto trimestre reforça esse cenário e embasa a projeção de crescimento mais contido para os próximos anos.
Segundo Claudia Moreno, economista do C6 Bank a estimativa é de que o PIB avance 1,7% em 2026 e 1,7% em 2027. Para 2026, a expectativa é de início do ciclo de cortes da taxa Selic, possivelmente já em março. “Mesmo com o provável início do ciclo de cortes, os juros permanecerão em patamar elevado, o que deve continuar contribuindo para frear a atividade” pontua Claudia. Por outro lado, medidas de estímulo adotadas pelo governo, como a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, já em vigor, e um mercado de trabalho ainda aquecido devem oferecer suporte adicional à atividade.
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Pela ótica da oferta, a atividade mostrou expansão na maior parte dos setores no fim de 2025. O segmento de serviços, principal componente do PIB, cresceu 0,8%, mantendo-se resiliente mesmo em ambiente de crédito restrito. Em sentido oposto, a indústria registrou retração de 0,7%, pressionada sobretudo pelas indústrias de transformação (-0,6%) e pela construção civil (-2,3%), setores mais sensíveis ao nível elevado dos juros.
Sob a perspectiva da demanda, o destaque ficou com as exportações, que cresceram 3,7%, demonstrando capacidade de expansão mesmo diante das tarifas impostas pelos Estados Unidos a determinados produtos brasileiros. “Já a formação bruta de capital fixo – ligada a investimentos das empresas no aumento de sua capacidade produtiva – recuou 3,5%, enquanto as importações caíram 1,8%. O consumo das famílias, que têm peso importante no cálculo do PIB, ficou estável” explicou a economista.
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