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Naviraí,09/04/2026

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A estratégia de Flávio para se descolar da rejeição de Bolsonaro

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A estratégia de Flávio para se descolar da rejeição de Bolsonaro




Flávio não é tão moderado quanto aparenta ser, dizem seus opositores na tentativa de desqualificá-lo no ponto considerado mais positivo em seu comportamento. É a guerra de narrativas.


Tudo indica que a grande batalha na campanha eleitoral a presidente será travada a partir da rejeição dos candidatos. O temor da oposição era que a reprovação de Bolsonaro fosse transferida para Flávio. Tudo indica que esse fenômeno não ocorreu. Mesmo assim, para não correr riscos, o zero 1 tenta se afastar do que sempre foi motivo de crítica ao seu pai, a comunicação equivocada.


Se perguntarmos a dez pessoas qual foi o maior defeito de Bolsonaro, provavelmente pelo menos sete vão dizer que falhou na maneira de se comunicar, especialmente pelo uso desastrado do humor. Por ser presidente, não havia como atingir superiores com suas brincadeiras, pois estava no topo. E, como disse Balzac, “Os grandes sempre erram ao brincar com os seus inferiores. A brincadeira é um jogo, e o jogo supõe a igualdade”.


Ele mesmo, por humildade ou conveniência, reconheceu que a sua linguagem atrapalhava seus planos eleitorais. Em 2022, disse quase no final da campanha: “Se as minhas palavras estão te impedindo de fazer a escolha certa, eu, humildemente, te peço perdão”. Não convenceu.


Tarde demais


Esse arrependimento tardio não foi suficiente para mudar a opinião daqueles que já haviam cristalizado certa aversão à sua maneira de agir. O problema todo esteve no limite. Fazia suas gracinhas, arrancava risadas dos ouvintes, mas não sabia parar. O humor não foi o problema. O problema foi o excesso.


Seu filho, Flávio Bolsonaro, pré-candidato à presidência, para evitar a associação com o que havia de mais negativo no ex-presidente, já nas primeiras entrevistas procurou demonstrar que a sua comunicação é diferente da do pai. Embora não tenha explicitado o excesso de brincadeiras, comentou que o principal erro de Bolsonaro foi na comunicação. Disse que o ex-presidente realizou boas ações, mas comunicou errado.


Na falta de outra crítica


A situação de Bolsonaro se tornava mais grave quando deslizava para as conotações sexuais. Nesses casos, a linha que separa o humor da vulgaridade era rompida imediatamente. Principalmente para o público feminino, esse comportamento era imperdoável. Os opositores se apegavam a esses fatos com unhas e dentes. Como não conseguiam apresentar nenhuma prova concreta de corrupção, seu jeito de se expressar virava alvo preferido.


Até os seguidores dele criticavam. Alguns, para não serem acusados de gado, na tentativa de se mostrarem imparciais, falavam da forma irrefletida com que se comunicava. Não foram poucos aqueles que me disseram como seria importante ele fazer o meu curso de oratória. Não era o caso. O próprio Bolsonaro disse reiteradas vezes que recebia aconselhamento daqueles que o cercavam para mudar o jeito de falar. Parece que entrava por um ouvido e saía pelo outro.


A benevolência com Lula


O contraste fica ainda mais evidente quando se observa o comportamento de Lula. Mesmo recebendo críticas aqui e ali, esse carimbo não fica estampado em sua reputação. Dá a impressão de existir certa condescendência com seus deslizes verbais.


Talvez nem Bolsonaro imaginasse que sua indicação seria tão positiva. Flávio já ultrapassa Lula em algumas pesquisas. As chances de que o ex-presidente volte a concorrer à presidência são praticamente nulas. Primeiro, precisaria readquirir a elegibilidade. Depois, ser inocentado das penas que lhe foram impostas. Finalmente, resolver seus problemas de saúde, que parecem ir de mal a pior. Mas, como tudo é possível nesse mundo, por hipótese, vamos imaginar que voltasse a participar da corrida eleitoral.


E se ele voltasse?


Seria interessante observar se, depois de tantos reveses, Bolsonaro continuaria sendo o mesmo tiozão do churrasco de sempre. Temos de lembrar que ele foi eleito também por causa de sua maneira direta de dizer o que pensava. Mas, depois de tantas bordoadas, talvez tenha concluído que não vale exagerar nas piadas.


Flávio está atento a essa reação dos eleitores. Não deseja e nem precisa passar pelos mesmos dissabores. Os próprios problemas já tomam seu tempo demais. Por isso, sempre que pode, ressalta seu comportamento moderado, diferente do grande líder que o indicou. Sabe ser irônico, debochado em certos momentos, mas tudo dentro dos limites que podem torná-lo simpático ao eleitorado.


O humor é um recurso excepcional para a convivência e o bom relacionamento com as pessoas. Uma tirada espirituosa, na hora certa, geralmente demonstra inteligência, preparo, boa formação. Torna os ambientes mais agradáveis e leves. O difícil é aprender a identificar a fronteira. Até onde vai a graça e onde começa a desgraça.


Talvez Bolsonaro nunca descubra esse ponto tênue, mas decisivo, em que o humor deixa de ser virtude e se transforma em demérito. A esperança da oposição é a de que Flávio, ao contrário de seu padrinho político, saiba a hora de avançar, mas seja hábil no instante de recuar. Siga pelo Instagram: @polito




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