Como o mercado avalia a primeira pesquisa presidencial após entrada de Caiado
Há seis meses da eleição, os setores da economia ainda avaliam o cenário que chega em pesquisas eleitorais. No mercado financeiro o momento ainda é de espera. O economista Alex Agostini, da Austin Rating, avalia que a disputa presidencial de 2026 começa a se desenhar com forte tendência de polarização. Para ele, nomes que surgem como alternativa acabam tendo pouco espaço diante da consolidação dos principais polos políticos. Nesse contexto, a entrada de Ronaldo Caiado na corrida eleitoral não altera o cenário central, servindo mais para redistribuir votos do que para ameaçar a liderança dos favoritos.
‘Caiado não tem chance’
Agostini foi direto ao comentar a viabilidade dessa chamada terceira via. Segundo ele, Caiado “não tem chances de vencer nem Lula, nem Flávio Bolsonaro”, indicando que candidaturas desse perfil tendem a dividir o eleitorado e empurrar a decisão para o segundo turno. Na leitura do economista, esse movimento reforça a dinâmica já conhecida da política recente, com concentração de forças em dois blocos principais.
Família Bolsonaro
Do lado conservador, o economista vê Flávio Bolsonaro com potencial competitivo relevante. Ele destaca que o apoio do grupo político ligado ao ex-presidente fortalece a candidatura e amplia a base eleitoral. “O apoio de todo o clã Bolsonaro vai ter um impacto muito forte”, afirmou, acrescentando que o candidato chegaria “forte para o segundo turno”, consolidando a polarização com o campo governista.
Lula tem vantagem
Já em relação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Agostini aponta a vantagem clássica de quem ocupa o cargo. A estrutura administrativa, a visibilidade e a capacidade de mobilização institucional tendem a pesar no processo eleitoral. Para ele, a “máquina” governamental e a condição de incumbente colocam Lula também em posição sólida para disputar a etapa final, reforçando o cenário de confronto direto entre dois nomes com musculatura política.
O preço das eleições
Apesar das análises políticas, Agostini afirma que o mercado financeiro ainda não incorporou essas projeções aos preços dos ativos. Segundo ele, o ambiente permanece pré-eleitoral e a precificação só ocorrerá quando houver definição mais clara das alianças e das equipes econômicas. O economista destaca ainda que, independentemente do vencedor, existe uma “janela” a partir de 2027 para ajustes fiscais e reorganização das contas públicas — fator que mantém investidores atentos à formação do futuro corpo ministerial e à estratégia econômica que será adotada.
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