Agência sinaliza novas liberações de estoques petróleo, mas mercado teme crise prolongada
A guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã provocou um dos maiores choques de oferta de petróleo da história recente, elevando os preços internacionais acima de US$ 100 por barril e forçando uma resposta emergencial coordenada das principais economias do mundo.
Nesta terça-feira, 17, a Agência Internacional de Energia (IEA) afirma que pode voltar a liberar petróleo de suas reservas estratégicas “se e quando necessário”, após já ter anunciado a maior intervenção desse tipo já registrada.
A medida foi adotada para conter os efeitos do fechamento do Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo consumido globalmente.
A interrupção elevou o barril do tipo Brent a quase US$ 120 no pico recente, antes de recuar parcialmente após o anúncio da liberação de aproximadamente 400 milhões de barris pelos países membros da IEA.
Segundo o diretor da agência, Fatih Birol, a ação teve efeito imediato ao acalmar os mercados, mas está longe de resolver o problema estrutural.
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Ainda restam cerca de 1,4 bilhão de barris em estoques estratégicos, o que dá margem para novas intervenções, embora especialistas alertem para limites práticos dessa estratégia.
Estimativas do mercado indicam que a liberação combinada de reservas estratégicas e estoques comerciais pode atingir entre 4 e 6 milhões de barris por dia.
O problema é que a perda de oferta global, provocada pela paralisação do fluxo no Golfo, pode chegar a 8 milhões de barris diários. Em outras palavras, mesmo no cenário mais otimista, a conta não fecha.
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A consequência direta é a manutenção de preços elevados por mais tempo, com efeitos em cadeia sobre a economia global.
Energia mais cara pressiona a inflação, encarece o transporte e reduz o poder de compra, especialmente em países importadores de petróleo.
Economias emergentes da Ásia, como Índia e países do Sudeste Asiático, estão entre as mais vulneráveis, segundo a própria IEA.
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O impacto também se estende ao crescimento global. Relatórios recentes de instituições como o Fundo Monetário Internacional já vinham alertando que choques persistentes no preço da energia podem desacelerar a economia mundial.
Em crises anteriores, como a de 1973, que motivou a criação da própria IEA, episódios semelhantes levaram a recessões em diversas economias avançadas.
Além disso, há perdas relevantes para países produtores do Oriente Médio, como o Iraque, que dependem da exportação via Ormuz para sustentar suas receitas.
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Com o bloqueio, parte dessa renda simplesmente desaparece, agravando desequilíbrios fiscais e políticos.
Mesmo que o estreito seja reaberto no curto prazo, a normalização não será imediata. Cadeias logísticas interrompidas, contratos desorganizados e seguros marítimos mais caros devem prolongar os efeitos da crise por semanas ou meses.
No centro desse cenário está uma contradição cada vez mais evidente.
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Apesar do avanço das energias renováveis, o mundo segue estruturalmente dependente do petróleo e, portanto, vulnerável a choques geopolíticos.
A crise atual reforça que a transição energética, embora em curso, ainda não avançou o suficiente para blindar a economia global de eventos como este.
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