Seja bem-vindo
Naviraí,11/04/2026

  • A +
  • A -

Vitrine global: os impactos da chegada de redes estrangeiras de fast fashion ao país

veja.abril.com.br
Vitrine global: os impactos da chegada de redes estrangeiras de fast fashion ao país

Vivemos na era da multiplicidade de escolhas — nos serviços de streaming, com catálogos aparentemente intermináveis de filmes e séries; nas plataformas de comércio eletrônico, com centenas de milhões de itens; e nas lojas de aplicativos, com milhares de opções para equipar os celulares. No mercado de moda, não é diferente. Os consumidores desejam ter opções variadas, e a bom preço, sem abrir mão da experiência de provar as roupas e ser bem atendidos. Esse fenômeno é visível nos shoppings brasileiros e vem atraindo novas redes varejistas estrangeiras, que identificam no país uma demanda subaproveitada por novidades. A sueca H&M, com mais de 4 000 lojas em diversos países, inaugurou seu primeiro ponto no Brasil no ano passado. Já expandiu para cinco, recentemente, e prevê abrir outras onze unidades até o fim do ano, diante dos bons resultados obtidos por aqui. O grupo Inditex, da Espanha, que faz sucesso no Brasil com 45 lojas da Zara, lançou em março, em São Paulo, o seu primeiro estabelecimento da marca Bershka, voltada a jovens e adolescentes, e pretende estrear a Massimo Dutti, para compradores com maior poder aquisitivo, no segundo semestre. No ramo das peças esportivas, chegou ao país a Alo Yoga, grife americana de Los Angeles que combina moda e bem-estar, com duas lojas em São Paulo e uma em Belo Horizonte.


CALIFORNIANA - Loja da Alo em São Paulo: roupas fitness e de bem-estar
CALIFORNIANA - Loja da Alo em São Paulo: roupas fitness e de bem-estar//Divulgação




H&M, Zara e Bershka são classificadas por especialistas do mercado como redes de fast fashion, ou seja, baseiam-se em um modelo de negócios que consiste em produção e lançamentos rápidos, com alta rotatividade de coleções e preços acessíveis — ainda que as últimas duas marcas, pertencentes ao mesmo grupo, prefiram distanciar-se do termo, temendo ser associadas a práticas ambientais e sociais pouco sustentáveis. Fato é que a fast fashion é um modelo que encontra espaço no Brasil justamente porque atende ao anseio crescente dos consumidores locais por variedade e preço baixo, uma tendência que tem sido muito bem explorada pelo comércio digital de marcas chinesas, tais como a Shein, no que vem sendo chamado de ultrafast fashion.


Um levantamento feito pela Offerwise Pesquisas mostrou que 77% dos consumidores brasileiros fizeram pelo menos uma compra em sites internacionais ao longo de doze meses. As principais razões apontadas explicam tudo: 76% estavam em busca de preços mais reduzidos, 48% se sentiram atraídos por maior variedade de produtos, e 34% viram nessas plataformas a única opção para encontrar itens raros, difíceis de encontrar ou que não existem no Brasil.


arte fast fashion



Continua após a publicidade


Junte-se esse cenário de demanda reprimida por variedade de produtos ao tamanho do mercado brasileiro, com seus 213 milhões de habitantes, cuja renda média vem crescendo, e compreende-se por que tantas marcas globais querem ter vitrines por aqui. “Mesmo com um ambiente de negócios desafiador, o Brasil segue atrativo porque combina escala e competitividade”, diz Juliana Inhasz Kessler, professora de economia do Insper, em São Paulo. Na maioria dos casos, os vestuários importados são mais baratos do que os produzidos no Brasil, e isso leva as redes estrangeiras a trazerem boa parte dos itens de fora para ocupar os cabides de suas lojas. Ainda assim, quando faz sentido financeiramente, a produção é nacional. A H&M Global informou a VEJA que tem apostado em um sortimento híbrido, com a participação crescente de itens fabricados localmente, sobretudo calçados, jeans e moda praia. A varejista classifica o país como um mercado-chave para o crescimento da marca. Em 2025, as vendas líquidas do grupo sueco cresceram 2% , totalizando quase 21 bilhões de euros. Procurada pela reportagem, a Bershka afirmou, por meio de um porta-voz estrangeiro, que escolheu o mercado brasileiro para expandir suas operações (antes mesmo de entrar no mercado americano, diga-se de passagem) por causa da afinidade com o consumidor jovem daqui, considerado culturalmente vibrante e aberto a tendências. Não falta espaço nas vitrines do Brasil.


Publicado em VEJA de 10 de abril de 2026, edição nº 2990



Publicidade




COMENTÁRIOS

Buscar

Alterar Local

Anuncie Aqui

Escolha abaixo onde deseja anunciar.

Efetue o Login

Baixe o Nosso Aplicativo!

Tenha todas as novidades na palma da sua mão.