Quase 82 milhões de brasileiros estão inadimplentes
O presidente Lula afirmou que o alto nível de endividamento das famílias ajuda a explicar a queda de popularidade do governo. Mesmo com desemprego baixo e renda maior, o impacto das dívidas no orçamento pesa mais na percepção da população, na opinião do presidente. Na opinião de muitos economistas a percepção não foge tanto assim da realidade já que dívida alta e inadimplência provocam um tremendo mau humor, além de outras emoções como desânimo e ansiedade.
Dados da Serasa Experian mostram a dimensão do problema: o país soma cerca de 81,7 milhões de inadimplentes, número próximo de um recorde histórico. Em dez anos, houve avanço de mais de um terço no total de negativados (38,1%), enquanto o volume das dívidas também cresceu de forma relevante. O levantamento aponta ainda que aumentou o número de mulheres e idosos nesse grupo, com destaque para o aumento do uso do crédito consignado entre aposentados — um sinal de que a renda muitas vezes não tem sido suficiente para cobrir despesas básicas.
Nesse ambiente, cresce a busca pela chamada troca de dívidas. Segundo Ugo Roveda, do Banco Bari, cerca de 70% dos clientes procuram novos empréstimos justamente para quitar débitos anteriores. Modalidades com garantia, como imóvel ou consignado, oferecem juros menores e prazos mais longos, substituindo taxas que podem superar 400% ao ano no rotativo do cartão por patamares bem mais baixos, mais perto de 20% ao ano. Ainda assim, ele alerta que a falta de educação financeira mantém muitas famílias presas ao ciclo do endividamento, apenas trocando dívidas caras por outras mais longas, sem resolver a origem do problema.
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