Seja bem-vindo
Naviraí,24/03/2026

  • A +
  • A -
Publicidade

Não é a guerra que amedronta os economistas do Brasil, mas um outro perigo real

veja.abril.com.br
Não é a guerra que amedronta os economistas do Brasil, mas um outro perigo real
Publicidade

A ata do Comitê de Política Monetária (Copom) veio sem sustos — e isso, por si só, já diz muito. O Banco Central do Brasil manteve o tom cauteloso, olhando para o cenário internacional e reforçando a vigilância. Nada de guinada, nada de surpresa. Mas o mercado, que já vinha sensível, parece menos preocupado com o que está escrito na ata e mais com o que pode acontecer fora dela.


Delação tira o sono


E é aí que entra o ponto que realmente tirou o sono dos economistas. Nada de guerra no Oriente Médio, nem inflação causada pelo petróleo, mas a possível delação de Daniel Vorcaro é tratada como algo muito maior do que ruído político. O economista André Perfeito foi claro: vê risco direto sobre ativos brasileiros, especialmente o real. Já Ricardo Rocha foi ainda mais direto ao classificar o tema como “nitroglicerina pura”. Em um ambiente já tensionado por eleições, qualquer revelação com peso político pode contaminar expectativas — e, no limite, mexer com câmbio, inflação e juros.





Pisando em ovos


Esse tipo de incerteza ajuda a explicar por que o Banco Central segue pisando em ovos. Mesmo com sinais claros de desaceleração econômica, a autoridade monetária evita movimentos mais ousados. Perfeito defende que o BC deveria agir com mais força, inclusive com uma reunião extraordinária para acelerar cortes de juros. Na leitura dele, o custo do crédito atual já está corroendo empresas e famílias por dentro, silenciosamente.


Cautela


Rocha concorda com o diagnóstico, mas não com a solução. O economista destaca que o ambiente político já está tenso devido às eleições e que as notícias sobre o caso Daniel Vorcaro, se confirmadas, “nos deixam chocados” e possuem forte repercussão política. Mas ele é preciso ao dizer que a diretoria atual do Banco Central dificilmente tomaria uma decisão fora do calendário tradicional. O perfil é de cautela — talvez até excessiva, na visão de parte do mercado. No fim das contas, a ata reforça essa postura: observar mais, agir menos, pelo menos por enquanto.


Oriente Médio


No cenário externo, o conflito no Oriente Médio segue como variável relevante, mas curiosamente perdeu protagonismo diante do risco doméstico. A guerra pressiona o petróleo, e isso sempre respinga na inflação global e brasileira. Ainda assim, a leitura é que o impacto é difuso e depende de desdobramentos — diferente de uma crise política interna, que costuma ter efeito mais imediato e direto nos preços dos ativos.



Continua após a publicidade


Selic


No fim do dia, o que fica é um retrato claro: o juro no Brasil não depende só da inflação ou da atividade econômica. Depende, e muito, da confiança. E hoje, entre uma ata previsível e uma possível delação explosiva, o mercado parece já ter escolhido qual variável merece mais atenção.



Publicidade




COMENTÁRIOS

Buscar

Alterar Local

Anuncie Aqui

Escolha abaixo onde deseja anunciar.

Efetue o Login

Baixe o Nosso Aplicativo!

Tenha todas as novidades na palma da sua mão.